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Breve reflexão sobre nossa indústria

ABEP Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa

03/09/2018

Por Bruno Paro*

Ingressei no mercado de pesquisa em 2009 e sempre me considerei mais um profissional da área de negócios do que um técnico na matéria. Por isso, acompanhava mais de perto, com maior interesse, os avanços relacionados à solução dos problemas dos clientes. Passados nove anos, tenho dúvida se progredimos como poderíamos e deveríamos. E, constantemente, me pergunto: por quê? O que mais poderíamos fazer?

Uma vez, há vários anos, um colega comentou como palestrante em um evento organizado por mim que os incentivos aos executivos estavam pouco alinhados aos objetivos de desenvolver a indústria da pesquisa. Na época, disse que o “falso rigor” dos profissionais de pesquisa era a maior barreira à implantação de novas e melhores soluções aos questionamentos dos nossos clientes. Aquelas palavras me marcaram bastante.

Pela minha experiência, reconheço que tenho uma tendência a enxergar a pesquisa pela ótica digital. Mas, certamente, não trato aqui da migração ou da aceitação das pesquisas on-line. A minha inquietação é outra. Será que os profissionais de pesquisa estão dedicando a merecida atenção aos clientes? Alguns de vocês devem estar pensando: como assim, não estamos dando atenção aos clientes? Pois é, atualmente tenho essa convicção. Poucas são as empresas de pesquisa que realmente buscam entender a fundo o problema do cliente. Poucas delas também procuram oferecer soluções inovadoras, além das mesmas utilizadas há vários anos. Normalmente, conversamos com nossos clientes já pensando em quais, entre as soluções ou produtos que temos em nossos portfólios, melhor serviriam para aquela aparente necessidade. Existe uma grande dificuldade em sairmos da zona de conforto, de arriscar, de fazer mais pelo cliente.

Incomoda-me bastante o diagnóstico de que certas empresas posicionam-se como inovadoras. Por que me incomoda? Porque, muitos desses, normalmente, jovens empreendedores poderiam dedicar o seu talento e a sua criatividade para aprimorar ferramentas e contribuir de forma efetiva com o mercado de pesquisa. Na outra ponta, as empresas tradicionais poderiam aventurar-se um pouquinho em torno desse universo de novas possibilidades.

Acredito que a polarização tão latente hoje em dia na sociedade é parte dessa evolução e integração. Sinceramente, ainda não concluí se como causa ou consequência. Mas certamente, um melhor entendimento do e com o próximo nos ajudaria a construir uma indústria melhor e, certamente, um mundo melhor – afinal de contas, essa ainda é a essência da nossa profissão.

(*) Bruno Paro é diretor-executivo do IBOPE Conecta.

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