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Entrevista Duilio Novaes, presidente da ABEP

ABEP

24/11/2014

Em entrevista, Duilio Novaes, presidente da ABEP, fala sobre as tendências no mercado de pesquisa, a regulamentação e os desafios da profissão diante dos avanços da tecnologia e da mobilidade.

1 – Como anda o processo de regulamentação da profissão de pesquisador?

A matéria aguarda aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O João Francisco Meira, que é vice-presidente e cuida dos assuntos corporativos da ABEP, está acompanhado bem de perto esse assunto. Se tudo transcorrer da melhor forma possível, o assunto que deve ser resolvido nos próximos meses. Se passar na CCJ, a matéria volta para a Comissão de Assuntos Sociais e depois segue para votação no plenário. Caso ela seja aprovada, como esperamos, será encaminhada para apreciação e provável sanção da presidente Dilma.

2 – Como a ABEP pode contribuir para a formação dos profissionais, principalmente os das empresas menores?

A ABEP já faz isso com uma grade de cursos de formação bastante variada para treinamento de analistas e gerentes. Há ainda o curso e-learning para entrevistadores, este eu acho que pode ser atualizado com a inclusão de um capítulo sobre as formas de coleta de dados digitais; ou seja a aplicação dos questionários através dos tablets. Os futuros profissionais fazem o curso a distância e depois realizam a certificação aqui na ABEP. Uma das nossas expectativas é que dentro de dois anos só existam no mercado entrevistadores certificados pela ABEP.

3 – A pesquisa digital é uma tendência para as grandes e pequenas empresas?

Sim, e uma tendência. As pesquisas de campo tendem a ficar restritas às clínicas e testes de produtos, ações que precisam de um contato direto com o entrevistado. Para fazer uma avaliação de hábitos e de atitudes, testes de conceito, o caminho natural são as pesquisas digitais, que, por sinal, são mais lúdicas. Há diversos modelos interessantes para você interagir ao responder a uma pesquisa digital. Outra vantagem dos meios digitais é que ele permite que se superem os muros antes intransponíveis dos condomínios. Regiões de São Paulo, como Jardins, Alphaville e Morumbi, áreas em que se concentra o público AA, nem sempre o entrevistador consegue atingir. Sem falar que acompanhamento por parte do cliente é on-line em tempo real.

4 – As empresas de pesquisa, em breve, poderão adicionar ferramentas às redes sociais?

Alguns dos Associados da ABEP já está fazendo isso. Porém, eu não sei o quão isso vai ser importante, que não cairá em desuso rapidamente. Existe também a questão de que você não controla a mostra, nos aspectos como idade, sexo, escolaridade, mas será que isso é importante? A gente ainda não sabe. O modelo tradicional é todo balanceado, representativo. É um padrão completamente diferente, mas será que isso permanecerá importante? Será que é melhor você ter isso ou conhecer a opinião de blogueiro, com 100 mil seguidores, que endossa sua marca? Só o tempo responderá essa questão.

5 – Qual é a sua percepção sobre o futuro do setor?

Nos últimos dois anos aconteceram muitas coisas novas na forma de coletar os dados nas pesquisas. E acho que nos próximos dois anos as recentes mudanças poderão estar ultrapassadas. Existe, por exemplo, uma grande empresa que recrutou mulheres, sem que suas identidades fossem apresentadas que filmaram o momento da troca do seu absorvente íntimo. Ao analisar os vídeos e as fotos, a empresa descobriu que as consumidoras não estavam entendendo as explicações na embalagem sobre a colocação do produto. Diante disso, eles fizeram os ajustes necessários com base em uma pesquisa realizada por mobile. Cliente Misterioso é outro bom exemplo de inovação. O respondente recebe a tarefa e estes que se cadastraram no site, são localizados por geo refereciamento através do celular. Ao identificar que a pessoa cadastrada está dentro de um cinema de shopping, por exemplo, ele pode pedir para ela fotografar uma cena do filme ou do seu saco de pipoca e enviar para o site. Ele remunera os colaboradores através de pontos que são acumulados e depois podem ser trocados por vale compras, vale ingressos ou dinheiro. Então, as coisas definitivamente estão mudando. A pesquisa está ficando lúdica. Para o respondente isso é fantástico porque ele passa a ter benefícios reais. Já o cliente, está conseguindo ter conhecimento de coisas que ele não imagina no passado.

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