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Imagine um mundo sem dados?

ABEP Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa

02/05/2019

Se você ainda não ouviu falar, “Pico do Petróleo” é um ponto teórico no tempo no qual atingimos a extração máxima de petróleo do nosso planeta, após o que se espera que entre em fase terminal. A previsão mais recente para o “Pico do Petróleo” o localiza durante a década de 2020. E daí, o que acontece então? Bem, as previsões variam, mas em um mundo despreparado isso poderia significar o fim das viagens aéreas e um enorme declínio nos transportes públicos, o que poderia levar os subúrbios a tornarem-se favelas e a maiores dificuldades econômicas em todo o mundo. A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) foi uma associação criada em 1960 para prolongar e salvaguardar o uso e desenvolvimento deste importante combustível fóssil, e prevenir os tipos de cenários descritos acima.

Hoje é o Dia Internacional da Pesquisa, então o que o “Pico do Petróleo” tem a ver com dados e insights? Bem, a analogia dos dados sendo o novo petróleo existe há mais de uma década e é adequada. Como os hidrocarbonetos são a força motriz de nossas necessidades de transporte, infraestrutura e energia, os dados impulsionam nossas necessidades de informação e decisão em empresas, sociedades e governos. Cada um deles é insubstituível à sua maneira. No entanto, assumimos que ambos estão super garantidos. Para muitos, o que o petróleo e os dados nos fornecem é invisível em nossas vidas diárias. E assim como a OPEP foi criada para prolongar e salvaguardar o uso e o desenvolvimento do petróleo, também não devemos esquecer de investir em associações que são cruciais para prolongar e proteger os dados de uso e desenvolvimento: essa associação é, sem dúvida, sua associação local de pesquisa e insights.
Toda vez que ouço a frase “os dados são o novo petróleo”, penso em um mundo onde, como o petróleo, a coleta de dados acabou de parar. E eu não estou apenas pensando egoisticamente que nós, no mundo dos insights, todos perderíamos nossos empregos; não é preciso muito para imaginar um impacto social maior e mais amplo do desaparecimento de dados. Felizmente, existem muitas associações de pesquisa e insights – nacionais, regionais e globais – que estão trabalhando muito para promover e desenvolver a aplicação aberta, honesta e confiável de dados e proteger contra cenários tais como:
Os serviços públicos sofreriam porque os governos não teriam ideia de como ou a quem fornecer. Pode muito bem haver recursos para o caos em transportes públicos, serviços
sociais, policiamento e muito mais. Sem as pesquisas de opinião, os governos seriam destituídos das opiniões de seu povo e, durante as eleições, a propaganda e as notícias falsas floresceriam, já que não haveria meios para verificar a validade.
Para as empresas, os produtos desenvolvidos pela adivinhação seriam lançados sem o entendimento de como eles funcionarão, e a publicidade será lançada no éter por agências criativas que baseiam sua compreensão do público-alvo pelo instinto.
Um mundo sem dados seria um desperdício. Nós voltaríamos a estar, do ponto de vista econômico, no século XIX. Governos, empresas e instituições de caridade perderiam dinheiro por meio de produtos e serviços fracassados. É claro que os empregos seriam perdidos quando as empresas fracassassem, criando uma recessão e ampliando ainda mais a distância entre ricos e pobres.
Tudo isso parece extremo e, felizmente, há uma diferença fundamental entre o petróleo e os dados. O petróleo é, naturalmente, um recurso finito. Os dados, por outro lado, são infinitos, desde que a raça humana tenha comportamentos e atitudes para observar, desde que sejam necessárias decisões sobre produtos, serviços e políticas, a compreensão será necessária.
Embora os dados não se esgotem, isso não quer dizer que não haja perigos. Quase todas as semanas há uma nova violação de dados, e bilhões de pessoas são afetadas a cada ano por práticas ruins de coleta e armazenamento de dados. Essas violações têm consequências maiores do que um leve dano na confiança do consumidor. Para mim, “Picos de Dados” será o ponto em que a coleta e o armazenamento de dados se tornem tão antiéticos e secretos que os governos precisem legislar contra a coleta de dados para proteger os indivíduos. Ou, quando os governos assumam o controle total dos dados e os usem como desejam para controlar e gerenciar sua população.
Existem maneiras de se proteger contra esse futuro. A coisa mais fácil e mais importante que as pessoas que trabalham em dados e insights podem fazer para garantir que os dados possam ser coletados e usados igualmente no futuro, é filiarem-se a uma associação. Estar em uma associação não é apenas uma ótima maneira de compartilhar conhecimento, aprender e se relacionar. Muitas associações têm códigos e diretrizes que vão além dos requisitos legais básicos, que destacam os princípios do uso honesto e transparente dos dados e fornecem aos participantes da pesquisa uma abordagem clara, ética e confiável para coletar e armazenar seus dados. Além disso, muitas associações estão em contato constante com órgãos legislativos regionais para garantir que a voz do pesquisador seja ouvida quando as leis de proteção de dados estão sendo elaboradas. Simplificando, quanto mais pesquisadores se associarem, maior credibilidade a associação terá com os legisladores; quanto mais influência eles tiverem em sua localidade, maior será o fortalecimento da reputação global de nossa profissão.
Então, neste Dia Internacional da Pesquisa, reserve um tempo para imaginar o que aconteceria se chegássemos ao “Pico de Dados” e, se você ainda não for membro de uma associação, participe de uma delas hoje mesmo.
(Tradução: Luzia Celeste Rodrigues)

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