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Edição nº 20 - São Paulo, 17 de Junho de 2008

Resenha: A cabeça do eleitor

Por Mario Rodrigues Filho

Mario Rodrigues FilhoA CABEÇA DO ELEITOR está ligado ao meio da pesquisa em sua totalidade, da primeira à última página.

Os dois primeiros capítulos, que perfazem um terço do livro, são os mais interessantes para os que fazem análises de dados e acontecimentos políticos. O restante é um tanto árido - por ser muito técnico - mas está ligado totalmente a nossa área de atuação. O subtítulo do capítulo 1 é um manifesto por si mesmo e dá esperança para muitos candidatos: “A opinião pública ensina: há eleições possíveis de ser vencidas e outras, impossíveis (o marketing não faz mágica), pois quem manda é o eleitor”.

Alberto Carlos Almeida diz que a opinião pública é regida por padrões, ou seja, não se comporta de maneira aleatória, irregular ou ilógica. Ele exemplifica com as últimas eleições presidenciais:

  1. Em 1994, o governo Itamar Franco estava mal avaliado. Foi eleito o seu ex-ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso.
  2. Em 1998, o governo FHC estava muito bem avaliado. O próprio presidente foi reeleito.
  3. Em 2002, o governo FHC estava mal avaliado. Seu principal opositor, Lula, foi eleito.
  4. Em 2006, o governo Lula estava muito bem avaliado. Mais uma vez o presidente em exercício foi reeleito.

Alberto demonstra que daí pode ser tirado um padrão: "quando o governo é bem avaliado, o candidato governista é franco favorito; quando o governo é mal avaliado acontece o oposto. A oposição torna-se pule de dez." A conclusão é que ganhar eleição contra um governo bem avaliado não é uma tarefa simples, uma vez que as ações que poderão levar à vitória da oposição nem sempre estão ao alcance das estratégias usuais do marketing político. Vale ressaltar, como demonstrado pelo autor, que informação sobre o comportamento do eleitor é fundamental para dimensionar o esforço das estratégias que levarão uma campanha ao sucesso.

O capítulo 3 mostra as relações da pesquisa de opinião com a imprensa e a política, levando à discussão interminável entre o poder de influenciar e de não influenciar nos resultados de uma eleição. O autor propõe, em sua conclusão, duas controvérsias:

“A primeira refere-se aos diferentes pontos assumidos por jornalistas, políticos e coordenadores de pesquisas. Em cada uma dessas atividades profissionais, o ethos que rege a avaliação dos resultados de pesquisas é diferente, para não dizer o oposto. Assim, em qualquer debate acerca de resultados, cada um apresenta pontos de vista inconciliáveis, fornecendo ao grande público a impressão de que se trata de um debate no qual as partes não se escutam. A segunda fonte de todas as controvérsias, ou pelo menos de quase todas, é a suposição de que as pesquisas influenciam diretamente o eleitor. Se não existisse esta crença, a importância conferida às pesquisas seria bem menor.”

Nos capítulos 4 a 7, o autor fala de amostra, questionário, trabalho de campo e análise dos resultados, assuntos reconhecidamente áridos por aqueles que se relacionam com a pesquisa, mas não são pesquisadores. A forma clara e direta com que esses pontos são abordados atende ao que a maioria dos nossos clientes deseja saber. Esses pontos são elucidados através de exemplos que as empresas de pesquisa podem usar no seu dia a dia para esclarecer as dúvidas dos clientes e facilitar a relação com a imprensa.

Por fim, no último capítulo, “O que o eleitor deve saber para avaliar uma pesquisa de opinião”, o autor deixa claro como a nossa atividade e nossos códigos devem ser rigidamente respeitados quando ele descreve: “Quem fez a pesquisa - certos institutos de pesquisa gozam de boa reputação, outros nem tanto. Há institutos e coordenadores de pesquisa que têm um ethos mais profissional e científico, e outros cujo ethos é mais comercial e político. Por isso, saber quem fez a pesquisa é importante para avaliar seus resultados”.

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